Mais um testemunho da importância do teatro na sociedade europeia dos últimos três séculos, onde esta arte é encarada como o divertimento absoluto (e único), os Teatros de Papel tornaram-se, a partir do século XVIII, numa das brincadeiras preferidas das crianças que o podiam fazer (estamos numa época em que brincar e jogar são privilégios exclusivos das classes sociais mais poderosas).

Estes teatros, impressos em papel e destinados a serem recortados e montados em cartão, ou então adquiridos já completos, depois instalados em pequenas estruturas de madeira criadas para esse efeito, para além do grande valor e interesse artístico, reproduzem na perfeição como eram os teatros propriamente ditos dando, por isso, informação precisa sobre a cenografia, os trajos de cena, a decoração teatral e o próprio ambiente da época a que se reportam. Existia mesmo uma revista francesa especializada nestas publicações chamada “Mon Théatre”, que periodicamente editava novos cenários e novas personagens, aumentando assim o reportório destes teatros de brincar.  Neles se antecedia ou prolongava, em jeito de brincadeira que envolvia a imaginação de toda a família, as excitantes idas ao teatro, verdadeiro acontecimento social e onde, como já foi referido, dos amores trocados ou proibidos à intriga social e política, tudo se passava, muito para além do próprio espetáculo.