Neste último agrupamento, de referir algumas peças de mobiliário de teatros, destacando-se um curioso banco utilizado na plateia do Teatro das Laranjeiras (o atual Teatro Thalia que fica localizado nas traseiras do Jardim Zoológico, em Lisboa) que, apesar de se tratar de um teatro privado, pertencente ao Conde de Farrobo, por lá passaram grandes autores e atores entre os quais o próprio Garrett, que aí terá visto alguns dos seus textos levados à cena e nele também terá representado, uma cadeira de camarote pertencente ao demolido Teatro do Ginásio, de Lisboa, um conjunto de cadeiras originais da plateia do Teatro Sá da Bandeira do Porto e uma cadeira da plateia do Teatro Eduardo Brasão, do Bombarral, entre várias outras. Neste grupo incluem-se ainda várias mesas de camarim pertencentes a alguns teatros de Lisboa já desaparecidos ou, entretanto, remodelados, bem como algumas belíssimas caixas de caracterização. 


Existem também alguns equipamentos técnicos de bastidores que, tendo em conta a evolução das novas tecnologias, se transformaram em preciosas peças de museu, destacando aqui o primeiro grande órgão de luzes elétrico que veio para Portugal em 1940, utilizado durante algumas dezenas de anos pelos luminotécnicos do Teatro Nacional de S. Carlos em espetáculos inesquecíveis e que iluminou alguns dos maiores cantores líricos do século XX, como Maria Callas, Teresa Stich-Randall, Renata Scotto, Tito Gobbi ou Alfredo Kraus, entre muitos outros que por este Teatro passaram.


Do maior interesse são também algumas maquetas a três dimensões de alguns teatros já desaparecidos ou ainda em plena atividade, como a do Teatro Monumental, do Teatro Nacional D. Maria II (anterior ao incêndio), do Teatro Nacional de S. Carlos ou do Teatro Taborda (a partir do projeto para a sua recuperação, da autoria do Arq. Nuno Teotónio Pereira).

 Merece aqui destaque o conjunto de três maquetas, executadas com grande qualidade e rigor histórico pelo cenógrafo Fernando Filipe e que documentam de forma única o primeiro teatro de Lisboa (sem ter em conta, obviamente, o teatro romano) e a sua evolução, o Pátio das Arcas (ou Páteo da rua das Arcas), inserido e aproveitando um pátio e a sua envolvência urbana, à semelhança dos pátios (ou currales) madrilenos, fazendo-se a entrada em alguns dos camarotes através das habitações já aí existentes. Este teatro, com origem no início do sec. XVII e que se situava mais ou menos entre as atuais Rua da Betesga e Rua dos Fanqueiros, quase sempre utilizado por companhias de teatro espanholas, passa por diferentes fases de evolução arquitetónica e de crescimento (mas também por alguns períodos de decadência, com alguns pequenos incêndios pelo meio) até 1755, quando é totalmente destruído pelo grande incêndio que se segue ao terramoto de 1 de Novembro.

 Também neste trágico dia desapareceu uma outra joia da nossa arquitetura teatral de que já anteriormente falei, o teatro Ópera do Tejo, que fazia contraponto social, em termos de público e reportórios, com o Pátio das Arcas. 


Noutro âmbito, são ainda de referir pequenas coleções como prémios nacionais e internacionais (sobretudo para atores e atrizes), placas e objetos comemorativos (destacando-se aqui alguns excecionais trabalhos de Rafael Bordalo Pinheiro), condecorações, diplomas, recordações, homenagens, contratos, álbuns de recortes, objetos de uso pessoal, bem como diversos testemunhos que documentam carreiras artísticas de maior ou menor notabilidade e que ajudam a melhor entender a verdadeira História do Teatro em Portugal.