Os Ballets Russes são, na História da Dança e, até provavelmente, na gigantesca História das Artes Performativas em todo o mundo, a Companhia que mais textos, publicações, conferências, livros, catálogos, exposições e filmes originou e continua a originar, a uma escala quase planetária. 
Da atribulada passagem dos Ballets Russes por Lisboa, de dezembro de 1917 a março de 1918, quase nada restou, para além da marca que deixou em alguns dos nossos maiores artistas modernistas, destacando-se entre todos Almada Negreiros.
É a partir desses restos de quase nada (ou de quase tudo), que a pequena exposição organizada no Museu Nacional do Teatro e da Dança se constrói. Partindo do programa original dos espetáculos do Teatro de São Carlos, documento raríssimo e, por isso também, simbolicamente entendido como o objeto central desta mostra, à volta do mesmo desenvolvem-se três linhas distintas, todas com o objetivo único de dar notícia e evocar aquela histórica e extraordinária estadia na nossa capital. Pretende-se também trazer ao público alguns apontamentos de como e de que forma as sementes dessa estadia se foram prolongando até aos nossos dias. Numa primeira fase em quase todas as formas de expressão artística, depois apenas no bailado e na sua construção, elaboração plástica e repertórios e, por último, sem perder o que atrás é referido, na memória dos documentos impressos, dos livros e dos catálogos de exposições.
Temos, assim, um núcleo onde originais de periódicos e monografias portuguesas da época são expostos, enquadrados por um conjunto de painéis que pretendem dar ao público uma (sempre vaga) ideia do deslumbre do que em 1917 e 1918 foi possível ver em dois grandes palcos de Lisboa, o Coliseu dos Recreios e o Teatro de São Carlos, através da reprodução de figurinos, cenários e algumas fotografias de cena (raras nessa época) de alguns dos bailados neles apresentados, a uma escala que permita um olhar mais preciso sobre aquele fantástico passado.
Alguns trajos de cena (para bailado), tardia mas pertinentemente (do ponto de vista artístico) influenciados pela estética ou, simplesmente, pelo repertório dos Ballets Russes, datados dos anos 40 e 60 do século passado (Bailados Verde Gaio e Ballet Gulbenkian) pontuam o espaço expositivo, o qual inclui ainda uma mostra iconográfica, bibliográfica e documental sobre aquela Companhia criada por Diaghilev.
Intencionalmente, tudo o que está exposto pertence ao acervo do Museu Nacional do Teatro e da Dança, tendo esse propósito, não só, dar a conhecer ao público em geral a riqueza, a dimensão e a qualidade das coleções que o constituem, incluindo aqui a notável biblioteca do Museu, mas também enaltecer, reconhecer e divulgar a grande importância que quatro recentes doações tiveram na constituição deste valiosíssimo núcleo patrimonial sobre os Ballets Russes: as doações de José Sasportes, de Luís Amorim de Sousa (parte da coleção do poeta Alberto de Lacerda), de Armando Jorge e o mecenato da Mirpuri Foundation que permitiu ser este o primeiro Museu Nacional português a ter no seu acervo duas obras originais dos pintores vanguardistas russos (e cenógrafos e figurinistas dos Ballets Russes) Mikhail Larionov e Natalia Gontcharova.