O grupo de bailados portugueses, “Verde Gaio”, da organização do Secretariado Nacional da Informação e antigo sonho de António Ferro, entusiasta dos Ballets Russes e que tinha pensado, desde logo, chamar Francis Graça para a coreografia, tornou-se realidade em 1940, estreando-se durante as festas do Oitavo Centenário da Fundação da Nacionalidade em 8 de Novembro.
«Conjunto distinto dos demais agrupamentos de bailado e caracteristicamente português, o ‘Verde Gaio’ surgiu como despretensiosa antologia poética, formado por alguns estados de alma, da paisagem e da raça, como lágrimas ou sorrisos da natureza e do homem simples respiração da alma portuguesa, de toda a paisagem portuguesa que se abre como um leque, diante dos nossos olhos, com toda a sua frescura e musicalidade, orquestra de pássaros, de vozes humanas, de águas vivas, de ramos de árvores...».

                        
 
A companhia definiu o seu rumo em “dança imponderável”, aquela que se coaduna com o génio contemplativo dos lusitanos que sonham com o mar olhando o céu, ou sonham com o céu olhando o mar...Intérprete artístico das tradições, lendas, costumes, poesia, música, canções e danças ancestrais da Terra Lusíada em exaltação de seus motivos e temas nacionais. O grupo de bailados portugueses “Verde Gaio”, ao mesmo tempo que serve a arte da dança por suas exibições ou como escola de bailado, ou ainda através de permanente colaboração nas temporadas líricas de Ópera, contribuiu também para a progressiva renovação do Teatro musicado, quer no ponto de vista coreográfico e espectacular, quer quanto às exigências de bom gosto nas montagens, pela melhor e mais harmónica utilização dos elementos de decoração cénica.

                                             

Tendo feito a sua estreia com a “Lenda das Amendoeiras”, “Inês de Castro” e “Muro de Derrete” e, fazendo em 1943 a sua primeira tourneé ao estrangeiro, a Espanha, que por muitas razões, desde a guerra que dominava a Europa, até às afinidades do regime político, era o único país onde podia ser levado.
Logo nos seus primeiros dez anos,  apresentou trinta e um novos bailados em valorização de um repertório, posteriormente enriquecido, também, por mais dezanove obras que a crítica e o público igualmente destinguiram, em consagração do seu próprio renome internacional, como já tinha sido reconhecido pelo maior crítico de ballet francês, Emile Vuillermoz.