1987



A companhia apresentou-se pela primeira vez em público na noite de 18 de Junho de 1921 no Teatro Nacional de S. Carlos com a peça "Zilda" de Alfredo Cortez.
Era dirigida pelo jovem casal de actores – Amélia Rey Colaço e Felisberto Manuel Robles Monteiro - e veio alvoroçar o acanhado meio artístico lisboeta tendo-se mantido forte durante grande parte da sua existência devido ao equilíbrio e complementaridade das qualidades artísticas dos seus titulares.

Amélia Rey Colaço era uma actriz de excepção e além disso escolhia o repertório da companhia e distribuía as peças, bem como chamava a si a montagem de cada espectáculo, imprimindo-lhe requintes até então desconhecidos e que marcariam não só a companhia como todo o teatro em Portugal.
Para esses efeitos chamava, quando julgava apropriado, artistas famosos como Raul Lino, Domingos Rebelo, Almada Negreiros, entre outros.

Robles Monteiro, embora ainda com alguns êxitos como actor, tinha como prioridade outras funções como marcar as peças, levantar as marcações no palco, e ensaiar os actores, actividade na qual se revelou grande mestre, dando início à verdadeira escola que viria a ser a sua companhia.

              Fotografia da sala do Teatro Nacional D. Maria II renovada pela Companhia Rey Colaço Robles MonteiroPormenor de fotografia de Amélia Rey Colaço no espectáculo 'Os Maias', Teatro Nacional D. Maria II, 1945Fotografia de Amélia Rey Colaço e Robles Monteiro no espectáculo 'Entre Giestas', 1921Pormenor de anúncio publicitário do espectáculo 'A petiza do gato', Companhia Rey Colaço Robles Monteiro, Teatro do Ginásio, 1926Pormenor de maquete a três dimensões do Teatro Nacional D. Maria II antes do incêndio de 1964.  Autoria Fernando Filipe

Também ele se ocupava, com especial eficácia, de todo o difícil trabalho técnico e administrativo, mantendo uma sólida disciplina nesse conjunto coeso que criara.
No que diz respeito ao repertório, predominavam entre 1921 e 1929, as peças dos novos autores portugueses, 38 ao todo, 22 em estreia incluindo seis revistas de carnaval com nomes como Alfredo Cortez, Carlos Selvagem ou Ramada Curto.
A seguir vêm 28 peças francesas, 22 em estreia; 19 peças espanholas, 15 em estreia, sendo 5 dos célebres irmãos Quintero; 5 peças italianas, 2 brasileiras e 2 americanas.

O período entre 1930 e 1942 teve como grande triunfo a ressurreição dos clássicos portugueses num total de 45 obras com o predomínio de Gil Vicente. Estrangeiros, apenas sobem à cena Shakespeare e Schiller.
A companhia procura, com a sua escolha, no que diz respeito a teatro estrangeiro, atrair o público com peças de agrado mais ou menos fácil, o que leva a que seja bastante criticada.

Entre 1943 e 1964, é a vez do grande teatro mundial: entre as 18 peças francesas, 4 são de Molière; 23 peças espanholas com a força de Federico Garcia Lorca e Valle Inchán; 4 peças de Shakespeare entre as 16 inglesas; 6 peças americanas onde se revelam dramaturgos como Tennessee Williams e Arthur Miller, para além de O’Neill; 6 peças italianas; várias peças alemãs onde são revelados Max Frisch e Dürrenmatt.
Este facto não fez de modo algum limitar o interesse pela dramaturgia nacional, tendo também, neste período sido representadas 104 peças portuguesas.

A partir de 1942 é Lucien Donnat, quem fica encarregue de desenhar os cenários e os figurinos para todos os espectáculos. Desde essa altura, começam a aparecer novos actores entre eles Mariana Rey Colaço Monteiro, filha dos criadores da Companhia que se viria a revelar uma das maiores actrizes do século XX.
Em 1958, Amélia Rey Colaço, por morte do seu marido, abraça todas as funções que até então estavam a cargo deste.

Nesta altura a companhia alcança ainda grandes sucessos.

Após o incêndio de 2 de Dezembro de 1964, a companhia tenta, sem nenhum do seu espólio, recompôr-se aparecendo logo no dia 15 do mesmo mês no Coliseu dos Recreios.

Ao longo da década seguinte a companhia teve ainda muitos êxitos, tendo cessado a sua actividade em Maio de 1974.