1989


Amália nasceu em Lisboa, no bairro de Alcântara, em Julho de 1920. A família, oriunda do Fundão, contava, para além dos pais, Albertino e Lucinda, com mais 5 irmãos.

Tendo ficado a viver com a avó em Lisboa aquando da partida dos pais para a Beira Baixa, foi esta quem lhe ensinou catequese e princípios rígidos da vida e a mandou à escola na Ajuda.

É em Alcântara que Amália canta o fado pela primeira vez, durante as marchas populares – O Fado de Alcântara. Em 1938, concorre ao concurso Rainha do Fado, mas as outras concorrentes recusam-se a participar no certame ao lado de uma vendedeira de fruta, e Amália desiste.

Durante um ensaio da academia, acaba por conhecer um torneiro mecânico e guitarrista amador, Francisco Cruz, com quem casa em 1940, exactamente no ano em que se estreia a cantar numa casa de fados, mais exactamente o Retiro da Severa.

O casamento dura apenas três anos, mas o divórcio só se concretiza seis anos depois.
 
                           
 
Ainda em 1943, canta pela primeira vez além fronteiras, em Madrid. Fica fascinada pela música espanhola, que nunca mais deixará de fazer parte do seu repertório.
Um ano depois, uma viagem mais longa leva-a até ao Brasil, onde actua entre outros lugares, no casino de Copacabana.

Em 1945, grava o seu primeiro disco para a editora Continental, onde estavam incluídos os fados "Perseguição" e "As Penas". Amália fica dez meses no Brasil.

Em 1947 chega ao cinema, através da película "Capas Negras", que foi um enorme êxito comercial, tendo estreado no cinema Condes a 16 de Maio.
A capital francesa, que seria determinante na sua carreira, recebe-a pela primeira vez em 1949 e, no ano seguinte actuou nos espectáculos do plano Marshall por toda a Europa. É em Dublin que canta pela primeira vez durante 14 semanas.

O sucesso avança, e ao mesmo tempo que assina contrato discográfico com a Valentim de Carvalho, o que a faz gravar em Londres nos estúdios de Abbey Road da EMI _"dez anos antes dos Beatles," – como gosta de frisar – sucedem-se os convites para o cinema (ao lado de Anthony Quinn, que recusa) e para a televisão, no programa de Eddie Fisher com apresentação de Don Ameche.

Em 1955 surge um filme determinante: "Os Amantes do Tejo", ao lado de Daniel Gélin, onde interpreta o arrepiante "Barco Negro".

                             

Casa pela segunda vez em 1961, com o engenheiro César Seabra, e, nessa altura, anuncia abandonar a vida artística para ficar a viver em Copacabana.
No entanto, no ano seguinte surge o disco "Asas Fechadas" um marco e uma viragem na sua carreira: quis o destino que Amália se cruzasse com Alain Oulman, um francês que nascera no Dafundo e que já tinha escrito a canção "Vagabundo" especialmente para a sua voz. Nas suas músicas surge um fado inteiramente novo.
Em 1966 grava o primeiro disco em que recria o folclore, a que se seguirão mais dois e, já em 1983, publica "Lágrima" o primeiro com poemas seus. Em 1990 tem lugar no Coliseu dos Recreios a festa dos seus 50 anos de carreira, durante a qual recebe pelas mão do presidente Mário Soares a grã-cruz da ordem militar de Santiago de Espada.

Amália Rodrigues 50 anos, foi uma exposição onde se tentou, através de fotografias, trajos, cartazes, programas, e muita outra documentação, obras de arte e objectos pessoais da artista, captar e transmitir um pouco do itinerário fascinante percorrido por Amália Rodrigues durante esses 50 anos. Itinerário em que o canto domina, mas também engloba o teatro e o cinema.