1990



Foi em Paris pelos finais do séc. XVIII que começou a fazer furor um novo género de espectáculo chamado "revue de fin d’année", um conjunto de quadros desligados em que se misturava o canto, a dança e a declamação com a finalidade de passar "em revista" e criticar os acontecimentos mais marcantes de cada ano que findava.

                                 

A Portugal, a revista chegou a meio do séc. XIX, já que, segundo apurou Luiz Francisco Rebello, foi em Lisboa em 1850 a primeira revista que por cá se apresentou.
O público português não dispensa mesmo a revista, tendo-a consagrado como o mais popular dos géneros teatrais, habituando-se pelos anos fora a rir com os trocadilhos e a piscadela de olho dos seus cómicos, a admirar a alegre desenvoltura das suas vedetas, a trautear as cantigas lançadas dos seus palcos.
Mas a revista não é só piada oportuna e a música que fica no ouvido, a revista é também essencialmente um espectáculo de cor e fantasia, aquele talvez onde o desenhador encontra pretexto para expandir a sua imaginação.


                        Pormenor de maquete de cenário e figurino para a revista 'Tudo na lua', Companhia Eugénio Salvador, Teatro Maria Vitória, 1959.  Autoria de Pinto de CamposPormenor de maquete de cenário para o quadro 'Lavadeiras' da revista 'Ai bate, bate', Teatro Variedades, 1948.  Autoria de Pinto de CamposFotografia de Ivone Silva

Foi por tudo isto que o Museu Nacional do Teatro considerou de grande interesse dar a conhecer o trabalho desses desenhadores que têm criado para a revista a sua indispensável moldura.

Graças à excepcional doação feita por Eugénio Salvador ao Museu Nacional do Teatro, podem ver-se nesta exposição alguns números de revista completos, com todos os seus figurinos e cenários, que atestam bem com que beleza e originalidade Pinto de Campos desenvolvia um tema e conjugava as cores mais inesperadas alardeando um talento impar para o teatro musicado que deixou bem patente nas revistas que desenhou.
Embora esta seja uma exposição dedicada ao teatro de revista, como não há revista sem a sua vedeta popular, nela se evoca também a personalidade excepcional de Ivone Silva (1935/1987), a última das grandes vedetas, evocação centrada em 10 trajos de cena das suas últimas grandes aparições.