1993


Luís Pinto Coelho nasceu em Lisboa em 1942.
Estudou pintura e escultura na Escola Superior de Belas Artes de Lisboa de 1959 até 1961. vive em Madrid desde 1961.
Trabalhou sob orientação de pintor Luís Garcia Ochôa.
Participou em mais de uma centena de exposições colectivas e para além de pintura de cavalete, realizou importantes trabalhos de cerâmica, pintura mural, cenografia, artes gráficas, fotografia, decoração e desenho.
Como retratista, pintou entre outros: o rei dom Carlos I de Espanha, o Grã duque do Luxemburgo, o presidente Malawi, o rei Simião da Bulgária, o príncipe Alberto do Mónaco etc.
Realçando o significado global de LPC, não parece fundamental separar o trabalho de retratista do ofício de pintor de tema livre, nem distinguir os suportes físicos através dos quais a sua arte se expressa, pintura sobre tela, azulejo, objectos tridimensionais, etc.
Para Mário Graça, toda a obra deste artista tem um mesmo sentido, um mesmo espírito, resultante do encontro de duas ou três linhas força que constituem um fio condutor comum à sua produção artística vasta e diversa.


 Fotografia de Luís Pinto Coelho   


LPC, continua sempre fiel aos princípios permanentes dos seus rumos artísticos, com a presença de símbolos, de reminiscências e de referências de factos vários que acompanhando o artista desde a sua infância e juventude em Portugal em conjunto com os que surgem desde que vive em Espanha, continuam povoando a sua vida.
Recordações do mundo juvenil, figuras da história, sinais que marcam o tempo e a sociedade em que tem vivido, tudo isto está reflectido na obra de LPC sempre com uma visão crítica, irónica ou inclusivamente caricatural, tão de acordo com o temperamento do artista, perfeitamente integrado no mundo no mundo a que pertence sem deixar de observa-lo com um toque benevolamente irreverente ou até maliciosamente inocente.
Nos retratos de encomenda, LPC confere o retractado a dignidade e a compostura devidas mas no enquadramento que dá ao retracto dificilmente consegue furtar-se a um detalhe insólito, a uma nota de humor.
Os retratos de LPC interpretam sem dúvida a expressão e os sentimentos das pessoas concretas com nomes e apelidos, que ali reconhecemos pelos seus rasgos fisionómicos e pelos atributos do seu carácter que o artista quis captar.
Os quadros de LPC, são tantas vezes não só o retrato do senhor A ou B, da senhora C ou D, da família E ou F, mas também, senão principalmente, alegorias à inteligência à sabedoria, à beleza, à harmonia, ao poder, à vaidade, à ambição, ao triunfo... trata-se de uma obra lúdica, teatral na qual LPC põe as suas personagens representando os mais diversos papeis numa crítica aos costumes ridículos ou numa apologia às nobres virtudes.
A obra livre de LPC inscreve-se também nestas mesmas coordenadas.

    


Se que lhe é permitida mais liberdade de expressão, mais possibilidade de decomposição da figura, mais variedade no uso de materiais, os princípios, esses não mudam e todos os seus trabalhos acusam uma elevada carga simbólica, inclusive quando se trata, aparentemente de um simples divertimento.
Com quase vinte anos de Portugal e mais de trinta anos de Espanha, LPC tem naturalmente incorporados no seu inconsciente os princípios e valores dois países peninsulares.
O alcançar da meia idade, leva a supor um regresso, procurado ou involuntário, consciente ou não, às primeiras raízes, às memórias mais recônditas.
O que se reflecte na simplicidade da construção das peças e na sua selecção, (pequemos teatros, cavalos) e um predomínio de temas do país natal .Trata-se, na opinião de Mário Graça, de uma exposição essencialmente portuguesa.
Devido a todo o contexto histórico português, não é de estranhar que LPC, ao remexer nas suas recordações da sua infância portuguesa, lhe surgissem de imediato as imagens da Índia nas pessoas dos seus Vice-reis, galeria única de varões ilustres como outros na história de Portugal: Francisco de Almeida, Afonso de Albuquerque, João de Castro e outros mais, são símbolos de honra e dignidade e de bravura que LPC quis elevar mais ainda, montando-os em cavalos que a iconografia tradicional não lhes atribui.
Regresso à infância nos brinquedos, nos cenários em miniatura e nas memórias adquiridas. Na permanência das formas e materiais característicos do seu país natal na sobriedade da expressão plástica própria da arte e da arquitectura.
Um desfilar de símbolos e reminiscências ludicamente recriados, teatralmente encenados.