1993


Esta exposição de Moro em Lisboa está centrada em cinco caixas. O escultor segoviano joga propositadamente com o número cinco para criar um ambiente plástico sugestivo de forma e de cor. Inevitavelmente o número cinco implica todos os múltiplos de cinco.

Claro está que o número de conotações e implicações para cada espectador dependerá da sensibilidade e do conhecimento do próprio espectador.

           


A arte emblemática de Moro, em todos os seus níveis de leitura, revela-se concretamente como ópera aberta que faz dançar os sentidos. Realmente este pórtico de introdução à celebração lusitana da capitalidade cultural europeia em 1994 formou grande parte de um longo processo de criatividade escultórica, ou seja, já forma parte da obra/ imaginação/ sensação/ inteligência/ vida de um artista, um artista que não está interessado na linha de menor resistência técnica.
A visão de Moro com a horizontalidade interior sempre ansiando a verticalidade exterior, festeja e critica o mundo em que está inserido. O artista interpreta o consumismo e enaltece o quotidiano.

Na arte emblemática de Moro confirma-se que o conceito de renascimento não é uma mera recordação histórica e menos ainda uma mera lucubração pretensiosa. Pelo contrário, este conceito chave é trabalhado e elaborado como componente vibrante da arte ibérica de hoje.