1993

Integrando as comemorações do centenário do nascimento de Almada Negreiros, o Museu Nacional do Teatro apresentou a exposição O Escaparate de Todas as Artes ou Gil Vicente Visto Por Almada Negreiros.

É bem conhecido o fascínio inescapável que as artes do espectáculo exerceram sobre Almada, durante toda a sua vida, todas abordando mas em nenhuma se fixando, como que perseguido por um desejo de totalidade, que lhe impedia a opção.

Traje para Anjo para o espectáculo 'Auto da Alma', Companhia Rey Colaço Robles Monteiro, 1965. Autoria de Almada NegreirosTrajes para Doutores da Igreja e Igreja para o espectáculo 'Auto da Alma', Companhia rey Colaço Robles Monteiro, 1965.  Autoria de Almada NegreirosCrucifixo executado para o espectáculo 'Auto da Alma', Companhia Rey Colaço Robles Monteiro, 1965. Autoria de Almada NegreirosVitral executado para o espectáculo 'Auto da Alma', Companhia Rey Colaço Robles Monteiro, 1965. Autoria de Almada Negreiros

"Teatro é o escaparate de todas as artes", escreveu um dia Almada. E nenhuma das suas intervenções cénicas melhor ilustra tal afirmação que o espectáculo que, em 1965, a convite de Amélia Rey Colaço, concebeu a partir do "Auto da Alma", de Gil Vicente, encenando, desenhando cenários e figurinos e até ele próprio executando todos os adereços e, em grande parte, também os trajos.

Foi este pequeno mas tão importante conjunto de trajos e adereços de cena para o "Auto da Alma", doado ao Museu Nacional do Teatro pelo coleccionador Jorge Brito, que então se expôs e do qual se destacavam dois vitrais de cena, um deles de grandes dimensões, um crucifixo, inteiramente executado por Almada, assim como diversos trajos de cena, de uma grande beleza teatral, em parte também executado por Almada.