1994


Mergulhando numa das expressões culturais mais significativas do ocidente, esta exposição transportava-nos através de oito clássicos, ao mundo do Teatro e da sua invenção. A história, a religião, a literatura, a música, a criação plástica, os hábitos e os costumes eram revistos através das obras dos dramaturgos, constituindo simultaneamente a matéria-prima que estes analisam e reinventam.
O Museu Nacional do Teatro assumiu-se assim, no âmbito das manifestações programadas para a celebração de Lisboa 94, Capital Europeia da Cultura, como um palco de eleição para o encontro de gentes e culturas.
Evocando no seu título El Gran Teatro del Mundo, a obra mestra de Pedro Calderón de la Barca, a exposição pretendeu ser um convite para um passeio através dos séculos teatrais, apoiado em oito pontos de referência essencial, convocando também a companhia de alguns daqueles autores que tão fundo mergulharam a natureza humana, que as suas obras, embora situadas no espaço e no tempo, são hoje tão actuais como quando foram escritas, ou seja os clássicos.





O ALVORECER DO TEATRO PORTUGUÊS

    Pormenor de traje para Maimonda do espectáculo 'Tragicomédia de Dom Duardos', Teatro do Povo, 1953. Autoria de Abílio de Mattos e SilvaTraje para 2ª mulher para o espectáculo 'O arremedilho de Guimarães', Teatro do Povo, 1953. Autoria de José BarbosaTraje para 2º bobo par 'O arremedilho de Guimarães', Teatro do Povo, 1953. Autoria de José Barbosa

Os trajos expostos foram desenhados por Abílio de Mattos e Silva para a Tragicomédia de Dom Duardos numa encenação de Francisco Ribeiro, levada à cena em 1952, pelo Teatro do Povo,
A sumptuosidade é sempre conseguida por Abílio através do mais puro fingimento teatral, com tecidos dourados, bordados a pérolas e pedras, tudo isto realçado por cores, algumas muito vivas, mas rigorosamente contrastadas, num conjunto que evoca as ilustrações dos contos de fadas.





TEATRO PORTUGUÊS DE INSPIRAÇÃO CLÁSSICA

Pormenor do traje para o Infante D. Pedro para o espectáculo 'Castro', Teatro do Povo, 1952. Autoria de José BarbosaTrajes para Ama e Inês de Castro para o espectáculo 'Castro', Teatro do Povo, 1952. Autoria de José Barbosa

Os trajos expostos foram desenhados por José Barbosa para a peça "Castro" numa encenação de Francisco Ribeiro, levada à cena, em 1952, pelo Teatro do Povo.
Com o seu extraordinário sentido teatral, José Barbosa compreendeu profundamente a Castro, dividindo as personagens em dois grupos: Rei, Secretário e Assassinos formam um grupo, Castro, O Infante e a Ama formando o outro.
Um conjunto admirável de beleza e total compreensão do texto que visualmente transmite.





O TEATRO INGLÊS

Trajes de Regan, Cordélia e Goneril para o espectáculo 'Rei Lear', Teatro do Povo, 1954.  Autoria de Abílio de Mattos e SilvaTraje para Duque de Borgonha para o espectáculo 'Rei Lear', Teatro do Povo, 1955.  Autoria de Abílio de Mattos e Silva

Os trajos expostos foram desenhados por Abílio de Mattos e Silva para a peça Rei Lear de William Shakespeare numa encenação de Francisco Ribeiro, levada à cena, em 1955, pelo Teatro do Povo. Sugerindo um ambiente primitivo e sombrio, um medievalismo, distante mas sempre puramente teatral, Abílio vestiu as personagens masculinas da tragédia com trajos e capas de fazenda em que dominam as suas cores preferidas.
Um conjunto que marca uma época de estilização teatral, em que cores e formas são brilhantemente orquestradas.





O TEATRO ITALIANO

Traje para Brighella para o espectáculo 'Comédia das verdades e das mentiras', Teatro do Povo, 1955.  Autoria de José BarbosaTrajes para Arlequim e Columbina para o espectáculo 'Comédia das verdades e das mentiras', Teatro do Povo, 1955. Autoria de José Barbosa

Este momento teatral foi assinalado por um conjunto de trajos desenhados por José Barbosa para a peça Comédia das Verdades e das Mentiras, da autoria de Costa Ferreira, baseada em temas e personagens da comédia dell’arte, levada à cena em 1955, pelo Teatro do Povo numa encenação de Francisco Ribeiro.
Para reinterpretar os trajos tradicionais da comédia, José Barbosa usou de uma elegante claridade, imaginando um Arlequim que troca o seu habitual trajo multicolorido pelo requinte de um trajo rosa com tradicionais losangos formados por fitas azul-claro. Também a berrante Columbina, aparece numa cuidadosa combinação de rosa e verde.





O TEATRO FRANCÊS


Trajes para Lélio e Célia para o espectáculo 'O traído imaginário', Teatro do Povo, 1952. Autoria de José BarbosaTraje para Pai de Valério para o espectáculo 'O traído imaginário', Teatro do Povo, 1952.  Autoria de José Barbosa

 O conjunto de trajos expostos foi desenhado por José Barbosa para A Commedia dell’arte numa encenação de Francisco Ribeiro, levada à cena, em 1952, pelo Teatro do Povo. Tendo por base tecidos actuais, simples fazendas que pouco têm a ver com a época, José Barbosa recriou, com o seu especial talento, os complicados trajos masculinos do reinado de Luís XIV, escolhendo as suas cores com extremo cuidado, depois tudo decorando com uma abundância de rufos, cordões, franjas, galões e muitas fitas de cores assim conseguindo não uma reconstituição, mas uma perfeita atmosfera do séc.. XVII francês. Muito bonitos e um pouco mais fantasiados, os trajos femininos vivem também da subtileza de cor e do engenho da decoração.




O RENASCIMENTO DO TEATRO PORTUGUÊS

Traje para Luís de Melo para o espectáculo 'O Tio Simplício', Teatro do Povo, 1954. Autoria de José BarbosaTraje D. Teresa para o espectáculo 'O Tio Simplício', Teatro do Povo, 1954. Autoria de José Barbosa

O conjunto de trajos que foram expostos foi desenhado por José Barbosa para a peça Tio Simplício numa encenação de Francisco Ribeiro, levada à cena, em 1954, pelo Teatro do Povo.
Utilizando com simplicidade a silhueta dos anos 1840, José Barbosa caracterizou as personagens.




O ETERNO RETORNO À TRAGÉDIA GREGA

Traje para Pílades para o espectáculo 'Electra ou a queda das máscaras', Casa da Comédia, 1987. Autoria de Filipe La FériaTraje para Egisto para o espectáculo 'Electra ou a queda das máscaras', Casa da Comédia, 1987.  Autoria de Filipe La Féria

O conjunto de trajos em exposição foi desenhado por Filipe La Féria para a sua encenação, na Casa da Comédia, em 1987, de Electra ou A Queda das Máscaras de Marguerite Yourcenar.
Para criar um ambiente simultaneamente primitivo e majestoso, Filipe La Féria utiliza materiais aparentemente rudes mas muito trabalhados.
Com esses materiais, quase todos usados nas suas cores naturais, se define cada uma das personagens.
Mais marcadamente acentuando a crueldade e o poder que simbolizam, as personagens usam coturnos, tal como os actores da antiga tragédia.