1994


«Com esta exposição desejamos apresentar, no ano em que Lisboa é a Capital Europeia da Cultura, um intérprete que, ao longo de mais de trinta anos, foi o testemunho de uma vida para a arte, em particular para o espectáculo: Umberto Tirelli.
Coleccionador apaixonado de rendas e tecidos antigos, Tirelli teve sempre, desde a infância, uma grande curiosidade e uma intensa paixão pelo espectáculo.»
Luduvico Ortona 
                            
                        

«É curioso registar como Tirelli veste, quase sempre paixões e momentos funestos. A clássica Medeia pasoliniana que Maria Callas corporizou, paradigma de rejeição e do ciúme, foi por ele coberta de arcaicas vestes, recuperando ancestrais técnicas e segredos artesanais de tapeceiros.
Com a minúcia de um historiador, a emoção de um dramaturgo e a sensibilidade de um pintor ou poeta, Tirelli veste e serve como ninguém os grandes frisos históricos e as subtilezas emocionais. Se o cinema é a arte de todas as artes, porque as reúne na totalidade, os figurinos trajes e acessórios aí desempenham um papel primordial. A sua prática no teatro, ballet, ópera e cinema, aliada a uma notável vertente de coleccionador, fizeram dele o executante de deslumbrantes figurinos que fazem sem dúvida, parte da memória colectiva e do património universal»
Simoneta Luz Afonso

                                         

«Esta é pois a exposição que já deu a volta ao Mundo e de Itália nos chega, este conjunto sem igual de trajos históricos que Umberto Tirelli quer executou quer salvou e recuperou. Tirelli e depois os seus herdeiros, pois se ele morreu em 1990, a sua Sartoria e a sua obra continuam, tal como ele gostaria que acontecesse.
É com uma enorme emoção e também com grande orgulho que o Museu Nacional do Teatro abre as suas portas ao sonho, ao esplendor, ao didactismo da Colecção Tirelli, às suas maravilhas feitas de sedas, veludos, rendas, plumas, bordados, papeis pintados, enfim, feitas de, como diria William Shakespeare ou Humphrey Bogart por ele: "the stuff dreams are made of"»
Vitor Pavão dos Santos