1995


Exposição constituída por 15 módulos, sendo cada módulo um pequeno teatro onde o visitante é convidado a sentar-se numa cadeira de sala de espectáculos, podendo então observar através da "boca de cena" a maquete respectiva. Cada módulo tem ainda, fixado no seu exterior, uma imagem fotográfica e um desenho do cenário a que se reporta a maquete. A exposição engloba ainda um conjunto de desenhos originais e cartazes referentes aos espectáculos em causa.

                             

«É um lugar comum, quando se fala de José Manuel Castanheira, dizer que é um grande criador de espaços teatrais, um dos raros criadores de espaços do teatro português contemporâneo. O que é verdade, embora não seja toda a verdade. Porque José Manuel Castanheira, através dos espaços cénicos que concebe e constrói, é ainda, e essencialmente, um criador de universos teatrais.

A sua visão personalíssima, de um extremo rigor perfeitamente compatível com uma apurada sensibilidade, ilumina o percurso que vai do texto escrito à sua transição sobre o palco entendendo-se este como lugar da representação, qualquer que seja o seu modelo ou forma. O resultado é sempre surpreendente, quer o espectáculo decorra em espaços inusuais (um velho palacete abandonado, uma antiga fábrica de cerâmica, como aconteceu com Tio Vânia, em 1981, e O Avarento, em 1984), quer numa cena à italiana, como nos casos de A Gaivota, em 1982, e de O Cerejal, em 1987: nestes últimos talvez ainda mais surpreendente, porque a aposta era aí mais difícil, o risco maior.

As referências do seu trabalho cenoplástico (dizer cenográfico seria empobrecê-lo) são os grandes nomes do teatro moderno: Appia e Craig, Meyerhold e os construtivistas russos, os expressionistas alemães, Copeu, todos os que recusaram a limitação do teatro às fronteiras da literatura e, para além desta, o quiseram como representação total do mundo. As palavras e os gestos das personagens inscrevem-se num universo de linhas, formas e volumes, cores, luzes e sombras, que as dizem ( e dizendo-as, no-las dizem) – e para a criação desse universo o contributo de Castanheira tem-se revelado fundamental (...)»

«(...) Como arquitecto (que ele é) ergue um edifício a partir de um projecto desenhado no papel, José Manuel Castanheira transforma a matéria idealizada pelo dramaturgo, reinventando-a numa perspectiva pluridimensional.»

Luiz Francisco Rebello